02/12/2009

Filme "Os últimos moinhos"

No próximo dia 17 de Dezembro, pelas 21,30 h, será exibido, na Casa Municipal da Cultura de Seia, o filme "Os Últimos Moinhos", de Luis Silva.
Premiado com uma "Menção Honrosa" em Outubro passado, no Cine'Eco 2009 (XV Festival Internacional de Cinema de Ambiente de Seia), este filme retrata a realidade da degradação e abandono a que os moinhos estão votados e mostra-nos o estoicismo com que alguns moleiros ainda preservam os "últimos moinhos". Um filme a não perder. ENTRADA GRATUITA.

30/11/2009

Moldura de neve!

Nevou! A aldeia de Cabeça apareceu hoje emoldurada pela neve cintilante dos píncaros da Serra da Estrela.

Um belíssimo quadro pintado pela natureza! (clique para aumentar)

23/11/2009

Alminhas do Corte-Muro


As Alminhas do Corte-Muro estão inseridas numa pedra de xisto cinzento matizado com tons rosados. Estão implantadas numa rocha da Av. da Independência, em Cabeça. A estrutura é encimada por uma cruz com o topo em trevo. Está razoavelmente preservada, apresentando algum desgaste com esboroamentos laminados à face. A base do nicho está compensada com uma massa de cimento. Não está datada, mas presumo que a sua instalação na aldeia tenha ocorrido por volta do ano de 1954, por analogia com as Alminhas do Largo de Santo António.

O nicho tem um painel de azulejos com imagens alusivas ao Purgatório onde as almas expiam os seus pecados, gesticulando pedidos de clemência na direcção da imagem de Cristo Crucificado no monte do Calvário. Há dois anjos. O da esquerda lança apelos de comiseração a Deus. O da direita arranca do sofrimento a alma duma jovem que já cumpriu a pena. A cruz é ladeada à esquerda por uma coluna donde pende a figura do Santo Sudário, com um galo no topo, numa alusão ao prenúncio de Jesus em relação ao discípulo Pedro “antes que o galo cante, tu me negarás três vezes”. Na base da cruz, há uma serpente e uma caveira. Do lado direito, uma escada, uma espada, uma esponja de cabo, uma lança e um jarro de água. São adereços referentes à conturbada flagelação e morte de Cristo. (Clique nas imagens para aumentar)

17/11/2009

Não gosto de assar castanhas


Blogagem colectiva
(texto a concurso)


Não gosto de assar castanhas. Queimo sempre as minhas mãos e nada fica em condições: umas estão mal assadas, outras parecem carvões! No entanto, adoro participar em magustos. Tenho amigos que são mestres, mas nenhum como o Armando quando escolhe a velha casa do Malhadoiro. Ele põe tudo a trabalhar! Primeiro, golpeamos as castanhas. Metemo-las, depois, num balde de água fria para não ficarem rijas e aguardamos meia hora.

É desta pausa que eu gosto. Por norma, comemos um queijo da serra bem fresco com broa caseira e bebemos um tintinho da pipa do Armando. Ele dá o vinho, o resto levamos nós. É sempre assim!

À hora certa, grita ele: - “Alto e pára o baile! Vamos escoar as castanhas”. Num ápice, despeja a água do balde. Nisto, mete a manápula na salgadeira do porco (ele ainda a usa, como antigamente), apanha um punhado de sal amarelado, bem rançoso, e atira-o sobre as castanhas. Agita, depois, o balde várias vezes, para que as castanhas fiquem babadas de sal e deixa tudo a marinar por meia hora. Comemos, então, o resto do queijo, bebemos mais um tinto, contamos umas histórias, discutimos futebol e sei lá que mais!

Chegada a hora, o Armando pendura o assador nas correntes enferrujadas da lareira, onde o lume já crepita. A partir daqui, só ele manda nas castanhas. Ele é que chocalha o assador, põe lenha, retira um tanganho, compõe o lume, sobe as correntes… eu sei lá! Tanta coisa! Tudo na altura certa! As castanhas ficam sempre alouradas, salgadinhas e tenras. Uma delícia! Nunca ficam queimadas como as minhas. No fim, o Armando atira-nos sempre esta, com vaidade: “ Vocês não percebem nada de castanhas! Isto tem os seus truques.”

Normalmente, acompanhamos as castanhas com água-pé. Sempre dá para beber mais um golito. Temos medo da jeropiga por ser muito saborosa, mas também muito matreira! Se não houvesse Polícia….

BLOGAGEM COLECTIVA
O texto anterior é concorrente à blogagem colectiva promovida pelo blogue "Aldeia da Minha Vida" (aldeiadaminhavida.blogspot.com), subordinada ao tema "O meu magusto". A votação decorre entre os dias 28 a 30 de Novembro, numa grelha lateral do referido blogue. Se gostar do meu texto, vá até lá naqueles dias e vote nele.

16/11/2009

Origem da chocalhada


Respondendo a uma questão que me colocou a nossa amiga Alcinda num comentário, nunca vi qualquer estudo fidedigno que determine a origem da celebração das chocalhadas no dia de São Martinho. Das pesquisas que hoje fiz à obra de Gil Vicente, sou levado a concluir que elas poderão ter reminiscências no século XVI. Nas “Obras completas de Gil Vicente” (compilação de 1562), auto dos “Almocreves”, encontramos este texto:
“Vem Pêro Vaz, almocreve, que traz um pouco de fato de Fidalgo, e vem tangendo a chocalhada e cantando:
“A serra é alta, fria e nevosa
Vi venir serrana gentil e graciosa."


E mais adiante, há este diálogo entre os almocreves Pero Vaz e Vasco Afonso:
- “Nam traes chocalhos nem nada”.
- Furtaram-mos lá de trás. Um fi de puta ladrão na venda da repeidada.
- Hi bebemos nós à vinda."


Pêro Vaz era da Beira (sam d’além a Sertã, d’apar de Viseu).
O primeiro almocreve entra no episódio a tanger os característicos chocalhos e a cantar uma serranilha que poderá estar associada à "chocalhada" das aldeias da Serra da Estrela.
É um assunto interessante que merece alguma atenção. Aceitam-se contributos (comentários).

15/11/2009

Vídeo - chocalhada 2009

Cumprindo o que prometi na mensagem anterior, aqui fica o vídeo que produzi, relativo à Chocalhada 2009 realizada na aldeia de Cabeça em 11-11-2009, dia de S. Martinho. Espero que gostem.

12/11/2009

Chocalhada 2009

Ontem foi dia de S. Martinho e houve chocalhada em Cabeça! O mesmo tinha acontecido na véspera. Foi cumprido um velho hábito dos pastores. Ao fim do dia, rapidamente se organizou um grupo que deu uma volta ao povo, percorrendo as ruelas da povoação. Tivémos como principal objectivo manter vivas as tradições.
A verdade é que nos divertimos imenso. A pacatez da aldeia foi, de repente, interrompida pelo barulho ensurdecedor de dezenas de chocalhos e campainhas do gado.
Estou a preparar um pequeno vídeo para colocar on-line. Esteja atento.

11/11/2009

Chocalhada de S. Martinho

Na aldeia de Cabeça celebra-se a chocalhada na noite de 11 de Novembro. Retoma-se, desta forma, um ritual dos pastores que, antigamente, retiravam os chocalhos das ovelhas para os chocalharem estridentemente pelas ruas da povoação. No ano passado, fiz este pequeno vídeo. Ligue o som.

O direito às castanhas

Tradições da aldeia de Cabeça:

“Os donos das terras em que se encontram os castanheiros só têm direito às castanhas que ficarem na sua belga, porque aquelas que as ramadas deixarem cair nas terras do vizinho pertencem a este. Se as rancas partem e vão cair fora da terra do proprietário, pertencem àquele em cuja terra caírem.” (Dias, António Cap., Ensaio Monográfico das Terras de Seia, Freguesia de Cabeça, pag. 15, 1952).

10/11/2009

Pastores


No dia-a-dia da aldeia de Cabeça, ainda é possível obter imagens destas. Captei-as há poucos dias, em plena povoação.
De acordo com um estudo publicado pelo sociólogo Alberto Martinho, havia no ano de 1955, nesta aldeia, 931 ovelhas e 330 cabras, o que perfazia um total de 1.261 cabeças de gado. Hoje em dia, a totalidade rondará apenas 200, sendo caprinos na sua maioria.

O historiador senense Quelhas Bigotte justificava, em 1992, que a gente nova não gostava da pastorícia por ser uma profissão absorvente que ocupava os jovens dia e noite, não lhes deixando tempo livre. Também não estavam inscritos na segurança social, não tinham assegurados direitos sociais como a aposentação, abono para os filhos, etc., nem os pais lhes atribuíam salário. Os jovens optaram, então, pelas fábricas e outras profissões com horário de oito horas e salário mais compensador. A pastorícia, em Cabeça, é hoje uma tarefa familiar que só os mais velhos ainda gostam de praticar.