03/02/2010

Eles não passam lá!


O Governo decidiu suspender o lançamento de um conjunto de concessões rodoviárias, entre as quais as da Serra da Estrela. Desta forma, as quatro novas concessões inscritas na proposta do Orçamento do Estado para 2010 – Serra da Estrela, Vouga, Tejo Internacional e Ribatejo – cujo processo de preparação do lançamento dos concursos deveria acontecer durante o primeiro semestre deste ano, não vão avançar.
Eu logo vi! Tinha cá um pressentimento que isto iria acontecer, mais dia, menos dia. Levam por tabela o IC 6 entre Tábua e Covilhã, IC 7 entre Oliveira do Hospital e Fornos de Algodres, e o IC 37 entre Viseu e Seia! Era muita fruta! Foi pena que não tenha havido uma discriminação positiva sobre a região da Serra da Estrela. Era absolutamente compreensível que tal acontecesse, porque os que cá vivem não têm alternativa, ao contrário das outras concessões incluídas naquele pacote (Vouga, Tejo Internacional e Ribatejo).
O mais grave é que o Governo e a Oposição se uniram nesta cruzada. Não se ouviu uma voz dissonante! Ninguém quer saber disto para nada! Mais uma vez, o interior profundo leva uma arrochada dos políticos congregados na capital. Se pensarmos nas povoações perdidas nos contrafortes da Serra, como por exemplo a aldeia de Cabeça, o caso é ainda mais grave. Eles querem lá saber da falta de acessibilidades da região da Serra da Estrela! Eles não fazem ideia de quanto é penoso, demorado e perigoso, ir daqui a Seia ou a sítios geograficamente tão próximos como Viseu, Coimbra, Guarda, Covilhã, ou, pior ainda, Lisboa e Porto! Os concelhos de Seia, Gouveia, Nelas e Oliveira do Hospital continuarão a ser um gueto deste país desgraçado, a duas velocidades. É que:
- na deslocação para o trabalho, eles não passam lá!
- para ir ao médico, eles não passam lá!
- para levar os filhos à escola, eles não passam lá!
- para promover um turismo de qualidade, eles não passam lá!
- para fazer seja o que for, eles não passam lá!

22/01/2010

Caminho da Gêa



A falta de acessibilidades foi sempre um factor de estagnação das aldeias de montanha, nas quais se inclui Cabeça e as povoações vizinhas. O Caminho da Gêa, hoje fora de uso, assumia antigamente uma importância vital.

Do livro “No Tempo dos Almocreves”, de Esther Abranches Nobre, retirei este excerto:


"Durma, durma sem cuidado
que por ‘qui não há caminho
que vá pra nenhum lado.
Só há um e é o da Gêa
para quem quer ir a Seia
atrás do Capitão-Mor.
E é dos padres de Loriga,
da Cabeça e Sandomil
quando chega a desobriga.
Pecados há mais de mil…"

Este livro reconstitui o «Tempo dos Almocreves», em Vide, uma aldeia limítrofe de Cabeça. Recorda os costumes, as romarias, a culinária, as superstições e a vida do princípio do século passado, no microcosmo desse modesto lugar. Recupera, também, o linguajar dos serranos desse tempo.

17/01/2010

Sismos

"Como é boa a terra! Deixa que o arado lhe sulque a epiderme, que o homem a revolva; e permanece imperturbável, mansa. Não se queixa.

Mas, às vezes, nos momentos de mau-humor, engole cidades e derruba montanhas..."


____ Pitigrilli

16/01/2010

Outra pedra de assento


Pode ser vista na Rua da Liberdade, em Cabeça, por sinal, muito perto da que mostrei na mensagem anterior. Junto à pedra, a pachorrenta Nikita.

Guardo, nos meus arquivos, a foto extraordinária duma idosa, sentada nesta pedra. Tirei-a, há pouco tempo. Não tendo muito jeito para a fotografia, penso que me saíu muito bem. Mérito da senhora! Talvez um dia arrisque levá-la a um concurso. Gostava de a mostrar aqui. Só não a publico, por reserva de imagem. Neste blogue também se pratica.

12/01/2010

Pedra de assento

Era comum, antigamente, ter à porta de casa uma pedra de assento. Os donos gostavam de ali repousar da faina diária, aproveitando para cavaquear com os vizinhos e transeuntes. Eram verdadeiras poltronas! No Verão, ao final do dia... que bom!
Ainda há pedras de assento. A imagem mostra uma delas, na Trav. Dr. Almeida Santos, em Cabeça.

Vídeo da neve

Complementando a postagem anterior, produzi um pequeno vídeo mostrando a queda de neve em Seia, no dia 10 de de Janeiro. As imagens retratam a zona do complexo hoteleiro da Quinta do Crestelo.

10/01/2010

Está a nevar

Seia pintou-se de branco. Estas são imagens do CISE-Centro de Interpretação da Serra da Estrela e do complexo turístico Quinta do Crestelo. Tirei as fotos hoje de manhã, por volta das 11 h. Clique para aumentar.


09/01/2010

Faz hoje 1 ano

Exactamente! Foi no dia 9 de Janeiro de 2009 que tirei estas fotos, ao cair da noite.

Seia ficou coberta por um grande manto de neve. Os mais velhos dizem que a neve desinfesta os campos de toda a bicharada. Então, venha ela!

04/01/2010

Vídeo das Janeiras

Janeiras

Ontem, cantaram-se as Janeiras. O produto reverteu a favor do Centro de Apoio à Terceira Idade de Cabeça.
Actualmente, está generalizado o hábito de dar dinheiro. Antigamente, o grupo era presenteado com enchidos (morcelas e chouriças). Tais produtos eram depois leiloados, sendo o capital entregue à instituição beneficiária. Tal prática está, agora, completamente em desuso. Passaram à história quadras como esta:

Levante-se lá senhora
Desse banco de cortiça.
Venha-nos dar as janeiras,
A morcela ou a chouriça.

03/01/2010

Simetrias do ambiente

Simetria é a harmonia de posição das partes ou pontos similares, entre si, com referência a um ponto, linha ou plano determinado.
O cume desta casa está projectado no horizonte do Monte do Colcurinho. É uma imagem curiosa, obtida a partir do Largo de S. Romão, em Cabeça. Simetrias ou assimetrias?

01/01/2010

Apesar de tudo

Chegou 2010!
De repente, acordámos, ainda inebriados pela paz do Natal.
Apesar de tudo,
viva Portugal!

31/12/2009

Presépio da igreja matriz

Este é o presépio da Igreja da Divina Pastora, em Cabeça. É um modelo tradicional em que foram utilizados materiais tão simples como o musgo, a pedra de xisto e algumas figuras representativas da vida rural. Ressaltam as imagens alusivas à pastorícia, uma actividade ancestral destas serranias. A posição destas imagens não é estática. Elas são dispostas no presépio, diariamente, segundo a ordem temporal narrada na bíblia. Os primeiros a chegar ao presépio são os pastores. Os Reis Magos são colocados junto do Menino Jesus no dia de Natal, depois de terem feito uma caminhada ao longo deste cenário.

Nesta imagem vemos a Igreja da Divina Pastora, em cujo largo foi acesa a fogueira de Natal deste ano. Trata-se da mesma fogueira que mostrei na postagem anterior, tirada de outro ângulo, ao terceiro dia.
Trago-a aqui para mostrar a sua cumplicidade com o adro da igreja matriz.

27/12/2009

Fogueira de Natal

Ao terceiro dia, ainda se mantém a chama acesa no Largo da Igreja Nova. É a fogueira de Natal na aldeia de Cabeça!
Historicamente, é acesa no adro da igreja na noite da consoada. A tradição começa com a recolha de troncos e cepos grossos, feita pelos rapazes da terra. Muitas vezes, são rapinados pela calada da noite.

As pessoas da aldeia juntam-se à volta da fogueira, na noite de Natal, para confraternizar, tomar uma bebida e, também para se aquecerem. São momentos de boa disposição que fomentam o convívio e o estreitamento de relações entre a comunidade.

A imagem documenta o montão de troncos do primeiro dia. Antigamente, estas fogueiras eram mantidas acesas, sem interrupção, até ao Dia de Reis. Há quem diga que a tradição do madeiro tem origem nos cultos pagãos, na celebração do solstício de Inverno, em que se acendiam enormes fogueiras ao ar livre.

Reveillon em Cabeça

O GASCD-Grupo de Apoio Social Cultural e Desportivo de Cabeça, leva a efeito um fantástico reveillon para celebrar a passagem de ano de 2009 para 2010, no Pavilhão Multi-Usos da freguesia de Cabeça.

Estão abertas inscrições até ao dia 29 de Dezembro. Clique na imagem, para conhecer o programa.